R$ 825 Mil em Shows, Luzes e Grades — Enquanto o Mercado Racha e a Prefeitura Aplaude
O Mercado Albino Melo está literalmente pedindo socorro. Rachaduras se espalham, a estrutura dá sinais de fadiga e comerciantes trabalham todos os dias sob risco real. Não é metáfora. É concreto cedendo. Do outro lado, a prefeitura mantém a mesma postura: distância, silêncio e desdém.
O mais revoltante? Dinheiro não é o problema. Prioridade é.
A última reforma estrutural de verdade aconteceu no governo do ex-prefeito Túlio Lemos, quando todas as alas foram entregues reformadas, com banheiros acessíveis, pisos e revestimentos novos. Desde então, o mercado entrou no modo “sobrevivência”, sustentado pela boa vontade de quem trabalha ali — não por políticas públicas.
Enquanto isso, a prefeitura segue torrando recursos com a estrutura de feira e shows todo fim de semana. Vamos aos números, porque eles falam mais alto do que qualquer discurso oficial:
Gasto por final de semana:
Sonorização (pequeno porte): R$ 1.500,00
Iluminação (pequeno porte): R$ 1.999,67 x 2 = R$ 3.999,34
Banheiros químicos: R$ 192,76 x 8 = R$ 1.542,08
Grades de contenção: R$ 21,03 x 176 = R$ 3.701,28
Tendas: R$ 250,00 x 23 = R$ 5.750,00
Show musical: R$ 700,00
👉 Total por fim de semana: R$ 17.192,70
Agora multiplique:
Por mês: R$ 68.770,80
Por ano: R$ 825.249,60
Sim, você leu certo. Mais de R$ 825 mil por ano.
Dinheiro suficiente para recuperar o Mercado Albino Melo, fazer as intervenções estruturais urgentes e ainda incluir o Mercado do Peixe no pacote. Mas, aparentemente, palco montado vale mais do que teto seguro.
A pergunta que ecoa entre os comerciantes é dura, mas necessária:
vai esperar o mercado cair para depois anunciar obra emergencial?
Isso já deixou de ser apenas descaso administrativo. É uma escolha política clara — investir no espetáculo enquanto o patrimônio público apodrece. O resultado está aí: trabalhadores inseguros, consumidores apreensivos e um mercado histórico tratado como problema secundário.

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